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18
Set15

Sou um pouco "Maria vai com as outras" em muitas situações, não em casos importantes que influenciem de alguma forma a minha personalidade, isso não, mas em temas mais banais eu acho que de facto sou um bocado influenciada pelas maiorias. Como explicar isto? Não vou usar cabelos curtos e com madeixas só porque é tendência, não vou dizer que não gosto do primeiro ministro apenas porque uma grande maioria não gosta, não vou esconder que gosto de espreitar a "casa dos segredos" e que até sei quem é a "Fanny que bate forte cá dentro" só porque a maior parte das pessoas acha que apenas os incultos e acéfalos conseguem assistir a esses programas (bom, aqui talvez se confundam as maiorias entre os que realmente não assistem e os que se envergonham de assumir). Não sigo o rebanho e não me importo de ser considerada a ovelha negra, consigo ver imensas vantagens nessa diferença que algumas vezes me caracteriza e me distingue dos mais próximos de mim. Parece-me que há uma musica de fundo nesta vida, musica essa que acredito não ser a mesma para todos...eu pelo menos não entendo algumas danças, não me identifico e recuso-me a dançar.

Mas há situações em que eu sou assumidamente a tal "Maria vai com as outras", é mais forte que eu, sei lá...talvez tenha uma personalidade fraca, talvez não acredite em mim ou então só não estou para me chatear e pronto, se todos acham, eu também acho, se todos gostam eu também gosto, se todos detestam, eu também. Passa-se isso por exemplo se me disserem que há um restaurante maravilhoso, onde se come tão bem , mas tão bem que vem gente de todo lado, inclusive que Cristo só ressuscitou porque ouviu falar na alheira que servem lá, eu posso achar a comida intragável, mas convencer-me-ei que era eu que não estava com o paladar apurado naquele dia, não volto, mas também não consigo dar uma opinião desfavorável sobre algo que todos amam loucamente. Passa-se o mesmo com cabeleireiros onde eu só apararia os pelos da esfregona ou até concertos onde quase adormeci...Mas se toda a gente diz que é o melhor cabeleireiro, por mim pode ser, eu não volto lá, mas também não vou estar a dar a minha opinião...e o concerto, uau, foi tão bom que nem consigo traduzir em palavras (estava a dormir não vi)...em alguns casos dou a desculpa das expectativas e pronto, fica ali o caso encerrado. Não gosto de contrariar maiorias, fazer o quê?

 

Falaram-me da escola da Gabi, uma escola optima, a melhor.

Eu sempre acreditei na escola pública da qual fiz parte, queria que a Gabriela a frequentasse. As listas de espera pelos vistos são longas e há grupos prioritários (crianças com 5 anos, crianças com 4, crianças de famílias monoparentais, crianças com irmãos na instituição...) A Gabriela ainda nem 3 anos tem. Queremos que frequente o Jardim de infância a partir de agora. Vamos inscreve-la no privado.

É a melhor instituição e agora percebo que todos possam gostar menos eu e já não sou uma "Maria vai com as outras" que gosta também. Porque agora já não se trata de mim, agora trata-se da Gabriela.

O que quererá dizer "a melhor instituição"? Será uma instituição bonita? Uma instituição enorme? Com parque de diversões espectacular ? Com piscina? Onde há actividades de natação, inglês, judo, zumba kids, etc,etc,etc,etc? Então sim, era a melhor...mas não para nós.

Na reunião começa o discurso de uma jovem e simpática Educadora "usamos o método highscope mas também podemos misturar os outros"...!!!Mas "e mais e mais"?? perguntava eu em silêncio...! E"quem é o highscope?" perguntaria o Gonçalo talvez.  Mas "e misturam os outros como? com a varinha mágica ou só com a colher de pau?" perguntava novamente eu sem proferir uma única palavra... E "quem são os outros?" perguntaria talvez o Gonçalo.

E assim se passou...um dia, dois dias, 3 dias em que tanta coisa aconteceu, coisas que não escrevo ... mas que não esqueço e que me entristecem, mais pelos que por ali se ficam, no melhor!! E um dia quando forem crescidos e não pegarem num livro porque não foram estimulados a ler espero que lhes valha de muito dizerem que "andaram no melhor".

Na minha cabeça pairava "fico mais um ano com ela", "tento outra escola?", "dirão que sou eu que sou esquisita".  Mas não importava o que todo o mundo dissesse, porque o olhar da Gabriela era a única coisa que gritava nos meus ouvidos.

E o meu coração também pedia ajuda, "Mãe dá-me uma luz".

Era sexta feira finalmente, nunca o desejamos tanto, fomos ao shopping à Fnac onde a gabi é tão feliz ,compramos o CD do frozen, chegamos ao carro e colocamos o CD, a casa é ao lado do shopping, o pai decidiu ir dar mais uma volta para ouvirmos as músicas principais...e já que passamos ali perto da escola o pai foi espreitar...a Gabi estava na lista, entrou numa turma numa escola publica.

Obrigada Mãe!

Fui à reunião apreensiva, e se não gostar também?...sentei-me e...foi música para os meus ouvidos e bálsamo para a minha alma, o que se dizia, o que se sentia. 

Hoje começou, a gabi não queria ir, mas depois também não queria vir.

Não sei se ela segunda feira quer voltar, mas sei que não terá motivo nenhum (que não seja mimo) para não querer.

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Pela manhã a subir paredes (literalmente) para não ir á escola.

 

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09
Set15

Nunca a tinha ido buscar, só o poderia fazer depois das 18:30 e achei que não a deveria deixar lá tanto tempo porque ela também precisa de umas horas para brincar com estes meninos. Ontem um deles saiu mais cedo para levar uma vacina, achei que o Gonçalo poderia muito bem ficar a tratar deles uns minutos. Esperei que ele chegasse do trabalho e fui.

Quando cheguei ainda estava a lanchar, esperei um pouco do lado de fora da sala e fui analisando o ambiente à volta, meninos  a lavarem os dentes, Educadoras a chegarem do recreio com as crianças "no comboio" , canções, risos, muitas mochilas penduradas, reparei logo na da Gabi claro. Entretanto ouço mais barulho, mais um grupo de crianças que vem da cantina, e lá vinha ela, ainda não me tinha visto, era a primeira no comboio, o Pai no segundo dia disse-me que a tentava encontrar no fim da fila uma vez que ela ficou lá tão tristonha, mas não, depois passa-lhe e volta a ser a Gabriela que não reconhecemos pela manhã mas que renasce tipo Fénix umas horas depois. Vinha a dançar, a cantar, a falar alto e quando me viu correu para os meus braços "Mãe vieste tu, obrigada", "Mãe vou apresentar-te os meus amigos", Mãe esta é a Mariana, esta é a Leonor...". Deu-me o caderno de recados e ficou ali a fazer umas palhaçadas para eu e a educadora vermos. Conversei um bocadinho com a Educadora (a Ana xofia como diz a Gabi), "a Gabriela é espectacular, é tão crescida, tem umas saídas tão engraçadas", "não parece nada que nunca esteve na escola, é tão despachada", "portou-se impecavelmente bem", "é uma menina crescida", "chora quando chega mas depois fica muito bem", "relaciona-se facilmente com as crianças e os adultos", "ela é impecável". E eu claro que estava atenta ao que dizia, a minha reacção era um sorriso mas por dentro batia palmas e dizia "claro que é, é minha, é isso tudo e muito mais, é perfeita esta menina, mas havia duvidas? ainda não viu nada..."

O meu coração ia acalmando...

Aparece uma Mãe, olha para a Gabi "que menina tão fofa", agradeci e aproveitamos para conversar um bocadinho.

Um dos meus receios era de que a Gabi se sentisse desmotivada com as crianças da idade dela, enquanto profissional nunca soube muito bem se as turmas heterogéneas eram assim tão positivas, achava que numa sala com crianças da mesma idade o "tempo" era igual para todos e que numa sala com várias idades haveria os mais novos a sentirem-se frustrados por não acompanharem os crescidos e os mais crescidos completamente desmotivados com os bebés (como eles costumam chamar aos mais novos).

Hoje como Mãe sou completamente a favor, as crianças de 3 anos não brincam muito a pares, as brincadeiras são mais egocêntricas, brincam lado a lado , mas a Gabriela (e outras que conheci) brinca aos pares, quando brinca com a prima ou quando arranja uma amiga (por aí pelos parques e férias, porque os meus amigos só fizeram rapazes, temos a Inês mas só tem meses), ela quer brincar a pares, "agora sou eu, agora és tu", "vamos fazer uma corrida? Tu vai primeiro eu vou depois", "olha vou contar-te um segredo", "podíamos dividir pintarolas", "Mãe, eu posso convidar a minha amiga?", "vamos correr de mãos dadas?".

Este foi um dos motivos que me levou a colocar a Gabriela na escola, se bem que acho fundamental que TODAS as crianças frequentem o Jardim de Infância. Aqui comigo só tive uma menina e por um período pequeno, uma menina de 5 anos e com a qual a Gabriela se sentia nas nuvens, aprendia coisas novas, nas corridas ainda hoje diz "partida, lagarta, fugiiiiiiiiida", que aprendeu com a Diana, de resto são sempre rapazes, sejam os fixos ou os que aparecem por pouco tempo, e ainda por cima muito mais novos. Acha-os uns tontos porque fazem cocó na fralda, dá-lhes uma palmada quando espirra e eles não dizem saúde (mesmo que o motivo fosse porque ainda não falavam), não têm a energia dela, não percebem as coordenadas e ela sente-se muitas vezes desmotivada. Apesar de os adorar, começa a "bufar" como quem diz "burros!!", porque apesar de eles já estarem muito desenvolvidos têm 1 e 2 anos.

A Mãe que encontrei perguntou-me a idade da Gabi, "tem quase 3, faz este mês", ela sorriu e disse-me que os dela tinham quase 5 (são gémeos), a Gabi é a mais novinha de todos.

O meu coração foi acalmando mais um pouco...

Viemos embora, saímos do portão e caminhamos devagarinho a conversar sobre o porquê de ela ter que vir do lado de dentro do passeio, ela queria uma explicação detalhada. Encontramos um carreiro de formigas, "olha Gabi, tão lindas todas em fila, são muito trabalhadoras, trabalham no Verão para comer no Inverno(...)(...)", "ok Mãe, anda, vamos (já com um pé em cima de algumas delas)...e lá fomos...pelo caminho para e diz-me "Mãe, tu foste buscar-me!!!" e sorriu. E lá fomos buscar uns gelados, "temos que levar para o Pai".

Acordamos às 7... "Mãããeeee, eu não quero ir à escola". (choro até os avós saírem com ela no colo)

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07
Set15

As Mães.

por Blog*da*Mary

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Todas deveríamos de ser Mães antes de as nossas partirem, para darmos mais valor, para compensarmos as nossas ausências, para pedir desculpa pelos erros que cometemos quando éramos apenas filhas. Para agradecer a paciência que tiveram. Para beijar cada palavra sábia que rejeitamos quando ainda não compreendiamos verdadeiramente do que falavam. Para colocarmos os nossos filhos na cama e a seguir aninharmos-nos no colo delas a descansar...

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07
Set15

Sexta feira tinhamos uma Gabriela muito mais alegre, "já é fim de semana", "amanhã não há escola", "temos dois dias sem escola".

Foi uma semana tão intensa em que cada vez que falavamos na "escola" havia lágrimas, soluços, dores de barriga, comichão que optei (provavelmente de forma errada) por não tocar nessa palavra o fim de semana todo. Parecia aquele jogo do "o primeiro a dizer a palavra NÃO perde", aqui quem dissesse a palavra "escola" perdia, mas foi um jogo muito fácil de jogar porque ninguém estava com vontade de o fazer...todos ganhamos.

Tratei dos lençois que leva para a escola, das roupas, mas não coloquei nada na mochila, a mochila estava lá parada no sitio onde tinha ficado na sexta feira às 16:30 quando chegou ( retirei de lá as roupas para lavar e dei uma vista de olhos pelo caderno dos recados "comeu bem", "dormiu bem")... Eu sei a teoria, sei que deviamos falar do assunto, sei que precisavamos de conversar (mais ainda), teria feito isso com os meus sobrinhos e os filhos dos meus amigos, com os meus alunos ... mas naquele momento, com a minha filha, que nasceu de mim e que amo de uma forma que nem sabia ser possivel amar optei por cuidar da melhor forma que consegui, queria que ela estivesse dois dias sem dor de barriga, sem diarreia, sem nervos. Queria-a em paz.

Fizemos (o Pai) um bolo, vimos o Frozen duas vezes, o Toy story, brincamos com a cozinha que ela recebeu de presente no dia do batizado e que adora, fomos ao parque, fomos para casa dos avós, apanhamos figos, jogamos à bola com os marmelos caídos no chão em casa dos avós,comemos gelado numa gelataria da cidade, passeamos muito, ela calçou botas como pediu e levou muitos beijos e mimos (ralhetes também claro, que esses nunca podem faltar)!

Ontem deitou-se cedo,depois de jantar, eram 8 e pouco, não queria que eu cantasse nenhuma música das que ela já sabe (ela sabe todas), dei por mim a relembrar músicas de infãncia que nem me lembrava que ainda sabia "Fui no trólaró buscar água não achei. Achei uma menina que no trólaró deixei.... " Ela adormeceu! O Pai foi buscar um Swirl para adoçar a nossa alma...dos dois!

Não me apetecia que amanhã já fosse segunda feira, sim, eu sei que temos que enfrentar os problemas, sei tudo e mais alguma coisa, mas não me apetecia pronto!!

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Acordei com a mesma atitude de sempre (da semana anterior toda), entusiasmadissima (sabe Deus) por ser mais uma semana de escola. "uau Gabriela estivemos tão atarefados o fim de semana todo que nem nos lembramos que já é segunda feira, dia de aulas", "que maravilha, quem me dera voltar à escola". Ela de voz trémula dizia que não queria ir. Perguntei porquê, mas ela ignorava... Continuei a minha conversa "a tua prima Sofia já está na escola, a tua amiga Beatriz que conheceste nas férias também já esta lá ", "O Duarte e o rafael estão ansiosos por ir, mas têm que esperar mais um tempo porque ainda são pequeninos, coitadinhos...", ela ouvia mas não comentava.

Comecei a contar-lhe episódios do meu tempo de escola, dos que mais me lembro são aqueles em que eu ficava aos cuidados dos meus irmãos quando a minha Mãe tinha que sair cedo para trabalhar, da minha irmã que tinha 17 e do meu irmão 19, a Lena fazia-me penteados mas quase me arrancava o couro cabeludo (provavelmente dirá ela que eu é que era queixinhas), o meu irmão vestia-me com um fato de treino e uns sapatos de verniz e o pior é que numa dessas vezes foi dia de fotografia da escola, ficou a lembrança... Mas não foram essas que eu lhe contei! Contei que eu adorava ir para a escola, estava sempre ansiosa (sei lá eu, provavelmente é mentira), e que na escola aprendi muita coisa (isto é verdade). Ela perguntou-me se a minha Mãe me comprou uma caneta da doutora brinquedos e se eu levava pintarolas para a escola, respondi que não e encerrou o assunto com, "a tua mãe era um pouco chata", quando chegaram os avós para a irem levar contamos-lhes da nossa conversa e a avó disse"ui, no nosso tempo não havia nada disso", não respondi mas pergunto agora, nosso tempo? como assim nosso tempo?????

Agarrou-se ao meu pescoço, desta vez nem com os avós queria ir...dizem eles que depois lá correu bem, digo eu que nunca mais são 16:30.

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Uma nota para Gabriela quando ler isto

- Minha filha, espero que quando te convidarem para ir a um bar, a uma discoteca, sair até à meia noite ou mais ainda, tu faças birras iguais a estas, porque nessa altura se não as fizeres tu, faço-as eu.

 

 

 

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03
Set15

O terceiro dia de aulas

por Blog*da*Mary

 

Pensava eu que a Gabriela ia dar pulos de alegria ao ir para a escola, pensava eu que a birra seria no final do dia quando a fossemos buscar.

Nas nossas ultimas férias ela fazia amigos novos praticamente todos os dias, fosse na praia ou na piscina do hotel acabava sempre com uma amiga nova, depois queria conhecer os pais ,chegou a comer a sobremesa na mesa dos amigos com os pais dos amigos...eu e o Pai pensavamos "não quer saber de nós, deve ser espetacular para ela começar a frequentar o Jardim de Infância, está com vontade de conhecer pessoas novas".

Nada fazia prever que viessem aí dia tão dificeis para todos...

Ontem a meio da manhã (depois da choradeira que fez) o Pai ligou para a escola a perguntar como estavam as coisas, a Educadora nem acreditava que a Gabi tinha feito birra (ela chegou mais cedo do que a Educadora), disse que estava espetacular, a receber os outros meninos, muito contente. Respirei de alivio, tirei a cara de "vou já buscar a minha filha para debaixo da minha saia" e imaginei que agora era sempre a melhorar... estava enganada!!

Chegou a casa e mais uma vez não quis contar nada do que se passou durante o dia, só queria brincar com os meninos , fizemos trabalhos com a plasticina, uma pizza e estava bem.

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 O tempo ia passando e a ansiedade aumentava "amanhã não vou à escola", "eu não quero ir mais à escola", amanhã fico com vocês? Foi pintar sozinha, sem dizer nada, ao olhar para o desenho senti que acabara de descrever o seu estado de espirito. Diz que era uma pêra...

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Fizemos o jantar, antes de começar a comer tinha dor de barriga, na sanita conversava comigo tentando de todas as formas arranjar maneira de não ir à escola, "sabes, amanhã não há escola, está fechada, vão ficar todos a dormir, acho que amanhã é fim de semana na escola"...como não teve sucesso insistiu "doí-me a cabeça, a barriga, os pés, não posso ir à escola", percebendo que nada lhe estava a valer arranjou armas poderosíssimas "não tenho amigas lá na escola, ninguém quer brincar comigo"... bom, apesar de provavelmente ser tudo mentira, tudo me magoou, tudo me deixou a pensar "será que lhe doi a cabeça", "será que não gostam de brincar com ela?" quase até..."será que amanhã é fim de semana na escola?".

Ela esta a sofrer e nós também...dirão uns que isto não é nada...mas digo eu que é o que temos agora e está a ser difícil.

Praticamente não jantou...já estava novamente com lagrimas nos olhos a pedir para não ir à escola, entretanto mais uma dor de barriga e uma ida à casa de banho.

Ao serão esteve aninhada no meu colo imenso tempo sempre a pedir-me o mesmo, sempre a choramingar, a dar-me beijos e a dizer-me que queria ficar comigo ou que eu fosse com ela...depois fizemos um jogo os três, divertia-se uns segundos e nos segundos seguintes dizia que não queria ir à escola...deitou-se a repetir o mesmo.

Acordou já a falar no mesmo, que não ia à escola...mal comeu, duas ou três colheres de cereais porque eu insisti e fiz brincadeiras, caso contrario não entrava nada (e ela que só pensava em comer). Mais uma dor de barriga e uma ida para a à casa de banho, mais olhos com água e a pedir-me por favor para não a deixar ir.

Expliquei-lhe mil e uma coisas, que todas as crianças vão, que eu fui e o Pai, todas as pessoas... Ela respondia: "está bem, mas eu não quero"!! Foi doloroso para a vestir, para lhe colocar a mochila, para a convencer a sair de casa.

Pelo caminho só me pedia para eu ficar lá um bocadinho.

chegamos e tivemos mais um escandalo, agarrada ao meu pescoço, ao meu vestido, a gritar, cairam-me as chaves, caiu o telemovel, ligou-se a lanterna do telemovel, puxou-me o vestido, gritou mais alto ainda...esperei, esperei, esperei e vim embora. De coração despedaçado, da mesma forma que ela lá ficou.

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Gabriela minha filha, quando fores grande e vieres ler este blog, vais saber como foram estes primeiros três dias de escola, a Mãe não vai escrever mais, porque os dias têm sido muito iguais, voltarei quando as noticias forem melhores.

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02
Set15

O segundo dia de aulas

por Blog*da*Mary

Contrariamente áquilo que eu pensava, a Gabriela não se adaptou bem a esta nova fase...

Ontem quando a deixamos na escola deu a mão à Educadora e não olhou mais para nós, continuou a sua vidinha como se fosse a pessoa mais independente do mundo, depois foi-nos dito que ficou uma hora agarrada à mantinha e chupeta (duas coisas que ela usa única e exclusivamente para dormir), a choramingar e a dizer que tem saudades dos Pais.

Por momentos relembrei a minha Mãe, num contexto completamente diferente, esteve 9 meses doente em camas de hospitais, inclusive no IPO, mas estava sempre feliz, alegre, a dizer piadas, parecia que nada se passava, as minhas amigdalites é que eram a coisa mais complicada da vida dela, tinha de as curar, tinha que cuidar de mim, ela estava bem, claro que estava, só tinha um tumor maligno e estava em fase terminal.

Só uma vez a encontrei a choramingar e mesmo assim ainda respondeu com uma piada, estavam a administrar-lhe um medicamento qualquer, um antibiótico talvez, que passaria naquelas veias já tão massacradas, era um medicamento de um amarelo forte...entrei no quarto e vi a cara dela de dor, perguntei: "estás com dores ou triste"? ... (...) "estou triste, servem-me este whisky e nem duas pedrinhas de gelo?, ahahaha, não estou nem uma coisa nem outra, como correu a escola??"

Ela era a pessoa mais forte que conheci, a Gabriela é muito parecida com ela, reage sempre com muita força a tudo, está sempre bem, não tem nunca problemas, resolve tudo sozinha (ou pelo menos tenta).

Dizerem-me que a minha menina esteve a chorar relembrou-me os dias em que eu aparecia de surpresa no IPO do Porto e me diziam:" ela hoje esteve a chorar", parecia impossível. A minha Mãe dizia logo que eram umas tontas exageradas, chorar, onde já se viu, que motivos tinha ela para chorar? A Gabriela nem respondeu quando a questionei sobre o choro...

Ontem quando chegou a casa perguntei-lhe sobre a escola, mas ela era muito vaga, "comi sopa" (eu reparei porque metade estava no vestido novo), e depois falava mais do que não tinha feito, "não fomos ao parque"... perguntei-lhe se amanhã queria voltar, respondeu-me que sim.

Voltamos a perguntar-lhe como foi a escola e respondeu que foi "um pessimismo", não percebemos, tentamos que ela explicasse, mas ela afirmou que era um pessimismo e mais nada, apenas isso, um pessimismo. ok...

Ao jantar ainda me perguntou: "mas então tu não és professora"? (não percebe porque tendo uma professora e outros meninos em casa tem que ir para outra escola com outra professora e outros meninos).

Hoje já não estava o Pai (acabaram as férias dele), acordou 10 minutos mais cedo do que o meu despertador, e disse-me logo que não queria ir à escola.

Enquanto nos preparávamos e preparávamos o pequeno almoço tentava convencer-me "lá não cantamos mas aqui em casa sim", "lá não pintamos nem fazemos trabalhos mas aqui em casa sim", "lá não lavei os dentes mas aqui em casa sim". Eu dizia-lhe que lá foi o primeiro dia, ainda estavam atarefadas com as novas crianças, os choros, a adaptação mas que depois tudo seria melhor e que ia fazer amigos, ela respondia que aqui em casa já tinha os amiguinhos.

Pelo caminho pedia-me para ficar lá com ela, para não a deixar sozinha, que eu tinha que ficar.

Quando chegamos disse muito feliz: "esta é a minha Mãe sabiam? Vai ficar comigo"!

E foi com muita dor no peito que tive que a deixar a chorar enquanto repetia "eu em casa pinto e danço e canto, não preciso vir para aqui, eu quero ir com a minha Mãe, eu não fico aqui!!!"

Foi uma surpresa, não imaginava nada disto, ela é a menina mais sociável que conheço, adora estar com pessoas novas a fazer coisas diferentes...sempre a surpreenderem-nos os nossos filhos.

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01
Set15

O primeiro dia de aulas.

por Blog*da*Mary

Ainda me lembro do meu primeiro dia de aulas, tinha apenas 5 anos.

Não sei que dia do mês era, nem se estava a chover, mas lembro-me da minha Mãe ter comprado uma mochila bonita e roupa nova.

Por incrível que pareça também não me lembro quem me foi levar à escola, mas ou foi a minha Mãe, ou um dos meus dois irmãos que ainda viviam lá em casa. Lembro-me perfeitamente da sala de aula, da professora e de algumas das colegas que já estavam sentadas. Olhei para todo lado e só tive uma certeza, "aqui não fico"!!! Armei a maior birra que consegui e quando percebi que nada funcionaria e que teria que ficar ali, fiz com que pelo menos a decisão final fosse à minha maneira (dizem que ainda hoje as coisa são mais ou menos assim)... fiquei numa mesa com mais duas colegas, no meio delas sentia-me protegida porque já as conhecia. Olhava para a esquerda e lá estava a Rute, olhava para a direita e lá estava a Sílvia,pronto, era só gente conhecida , que maravilha!! Ainda hoje em dia tenho este "síndrome de avestruz" , enterro a cabeça na areia e acredito que ninguém me está a ver, olho para o lado da rua mais florido e é tudo maravilhoso,só vejo o que quero ver...só vejo o que me faz sentir segura e alegre. Olho para o mau, triste e feio quando sei que posso melhorar, só por curiosidade e compaixão não me apetece!

Bom, mas por lá fiquei um dia inteiro, na sala de aula com as minhas amigas e a minha professora... não ouvi nada do que ela disse, estive a fazer aviõezinhos com a minha caneta e uma régua, encaixava a régua na tampa da caneta e esticava o braço para o avião voar...e me levar dali para fora, para casa, onde estava a minha Mãe e irmãos.

Não sei como correram os dias seguintes, mas ainda me lembro do entusiasmo a escolher os lanches e a lancheira, e de muitas brincadeiras naquela escolinha onde muitos anos mais tarde voltei a sentar-me, desta vez a assistir ao estágio de colegas e onde tudo parecia agora tão pequenino.

Muito tempo depois votei a assistir ao primeiro dia de aulas de outras crianças, fosse eu a estagiária ou a docente, Mães que choram, Mães que não conseguem ir embora, Mães que ficam à porta a espreitar, Mães que desistem e os levam de volta para casa, Mães que nem olham para trás para não tornar a coisa mais complicada, Mães que se sentem culpadas, Mães que se sentem aliviadas, Mães que sofrem com a saudade, Mães que morrem de preocupação, Mães que são Mães e que são humanas...

Eu na altura achava que sabia o que elas sentiam, hoje sei que apenas imaginava...

Passei as férias todas a pensar nisso, a olhar para a minha filha e a imaginar como seria esta nova etapa, tudo mudará a partir de agora, os horários, as rotinas, já não sou a única Educadora de Infância que fará parte da vida dela. Terei que dar continuidade ao trabalho da colega, respeitar o seu método e no entanto continuar a ser a Mãe que tenho sido. Já preparei as roupinhas dela, bonitas mas funcionais, nada de jardineiras que dão uma trabalheira para ir fazer "xixi"... o Pai foi escolher um perfume novo, já não pode usar a colónia de bebé, começa uma nova fase a nossa menina, uma fase que queremos perfumada...

Enquanto os meninos dormiam a sesta e depois de ter tratado da roupa e de tudo o que era preciso levar para a escola comecei a maratona de leitura, tudo o que aparecia sobre "primeiro dia de aulas", "o que evitar no primeiro dia de aulas", "primeira vez no jardim de infância", (...), sabemos que não há receitas, mas também sabemos que aprendemos sempre mais qualquer coisa num novo artigo.

Deitou-se mais cedo do que habitualmente, eram 8:30 já estava na caminha a nossa menina e eu...eu estou aqui a escrever, a imaginar o que sentirei amanhã...Já é uma da manhã.

 

E o amanha que é hoje começou para mim por volta das 6.00, à espera que o despertador desse sinal deste novo dia. Eram 7:30 quando ela se levantou, tomou banho, escolheu o pequeno almoço "torradinha e leitinho", vestiu um vestido novo, colocou a mochila e pediu perfume. Pegou no seu novo dossier e começou a ficar ansiosa. E lá fomos os três de mãos dadas até aquele sitio maravilhoso... A educadora elogiou os olhos dela, ela ficou envergonhada, estendeu-lhe a mão e foram as duas, e ela nem olhou para trás...dizem os entendidos que as crianças que conseguem separar-se facilmente dos seus Pais são as que mais certezas têm do seu amor , são as que mais segurança sentem de que os seus Pais voltarão para a buscar...espero que sim...

E eu chorei, de emoção, por ela ser tão especial e porque já tinha saudades...

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26
Mar15

Estava na conversa com um rapaz, com o qual me encontro no mesmo espaço quase diariamente e com quem simpatizo... eu não sei nada dele, ele não sabe nada de mim, somos apenas conhecidos que mandam umas piadas e se divertem mais do que as restantes pessoas que estão ali connosco.

Dizem-me do outro lado: -Marisa, amanhã era bom que estivesse aqui ás 19 horas nem mais um minuto.
Eu: vou tentar, tenho que falar com os pais dos meus meninos para não se atrasarem quando os forem buscar.
O rapaz olha para mim, com uma cara estranha e desvia o olhar!
Eu continuo a falar e alguém o tranquiliza : não olhe assim para a Marisa, ela é Educadora (só o curso minha senhora) e cuida de meninos.
O Rapaz admite: - que susto, pensei que eram vários filhos de vários Pais.
E eu lá me justifico( e só depois me apercebo que não devia, nem precisava) só tenho uma filha...e um marido!

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02
Mar15

A Gabriela faz-me rir.

por Blog*da*Mary

A Gabriela está cada vez mais  traquina engraçada e eu estou cada vez mais babada, vou contanto aos amigos, à família e por aí (para quem quiser ouvir) as coisas que lhe saem daquela boca linda e que me divertem, no entanto sinto que tenho que as colocar todas aqui para um dia ela vir ler, não é?

Eu gostava de saber todas as coisas engraçadas que disse, sei de duas ou três...talvez tenham sido as únicas!!!

 

Ela: Marisa, podias fazer-me uma surpresa.

Eu: As surpresas não se pedem e não gosto que me chamas Marisa, chama-me Mãe, mamã..

Ela: Tá bem, mas Marisa também não está mal.

Eu: Já me disseste isso uma vez e eu já te disse que não estando mal, prefiro que me trates como sempre fizeste, por Mãe.

Eu: ok Marisa, vou tratar-te por Mãe (gargalhada).

(Ela tem 2 anos, senhores!)

 

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29
Jun14

Sincera ou inconveniente?

por Blog*da*Mary

 

És sincera ou inconveniente?

 

Lembro-me perfeitamente quando a minha Mãe me tentou explicar a ténue diferença entre estes dois conceitos, à maneira dela como é obvio, com palavras simples mas sábias (as palavras de Mãe).

 

Sempre me considerei extremamente sincera, achava que não vinha mal nenhum ao mundo se dissesse à Dona Maria que ela tinha o nariz muito grande, ela tinha, ora bolas...eu estava a ser sincera. E nesses momentos lá surgia a minha Mãe (as Mães são realmente o nosso Deus, estão em todo o lado, mesmo quando já não estão), com a mesma conversa de que isso não é ser sincera, "isso é ser inconveniente" (dizia ela) e reiterava com um :"se ela te perguntar se achas que tem o nariz grande, podes responder que sim, afinal de contas foi ela que quis saber, mas se ela não te perguntar, não vale a pena ires dizer-lhe algo que ela não está à espera de ouvir".

Para mim valia muito a pena, como se fosse extremamente importante ela saber de uma coisa que provavelmente já sabia e sobre a qual nada podia fazer. A minha inconveniência valia para tudo: "tens o nariz sujo", "és um bocadinho gorda", "não gosto muito de ti"e por aí em diante...ouvi muitas vezes o discurso da minha Mãe, que com o passar do tempo ia deixando de ser tão calmo e apaziguador, dando lugar a algum descontentamento traduzido em palavras ditas de forma mais rígida, acompanhadas de gestos e promessas de castigos.

A verdade é que nada valeu a pena, e só quando eu própria comecei a ser vitima de outros tão inconvenientes quanto eu é que aprendi. Quando alguém me dizia: "ficavas melhor com o cabelo comprido",  apetecia-me dizer: e alguém lhe perguntou alguma coisa a si por acaso (acompanhado de um estalo claro)?

É engraçado que me lembrei desta história hoje ao tentar aconselhar alguém...porque percebi que provavelmente só aprenderá quando sentir na pele aquilo que hoje está a fazer!

Que estranha forma de aprender nós temos (a maioria)...seria muito mais fácil aprender com os erros dos outros, eu que até vim bastante tarde e tenho irmãos 15 e 20 anos mais velhos, podia ter estado atenta aos erros todos deles e hoje ser maravilhosa e perfeita não era?...mas não!!! Não!!

 

 

Hoje em dia, ainda sou um bocadinho sincera de mais, não sou tão inconveniente, não, isso não...mas há pessoas que não gostam de ouvir a verdade e eu não sei fingir que não sei, que está tudo bem...poderei não lhe dizer que tem o nariz grande, mas terei que a alertar para o facto de "o nariz dela estar a crescer", "de que não deve meter o nariz onde não foi chamada"... ou que "antes fanhoso que sem nariz"... posso ainda alertar, (como Mário Quintana fez) para o facto de “ quantas vezes nós, em busca da ventura, procedemos como o avozinho infeliz: em vão por toda a parte os óculos procura, tendo-os na ponta do nariz"!

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